terça-feira, 20 de setembro de 2011

A VELHA E ETERNA MANGUEIRA: RECORDAR É REPETIR E ELABORAR!





  
Naquela tarde do ano de 1952, o padre jesuíta convidado para pregador do retiro espiritual, estava no púlpito refletindo sobre a eternidade. A frase dita por ele de forma eloquente e que assim gravei foi:
— mais um ano a cair no oceano da eternidade. Estará essa gota de tempo pura de todo pecado meu? Que coisa fiz por Deus e  por minh’ alma durante este tempo?
Refletir sobre essas abstrações era deveras complicado e difícil para uma menina, num colégio de freiras, longe de seus pais e irmão, de sua casa, de seus namoradinhos, de suas amiguinhas!
Subentendia que o jesuíta estava falando de pecado e de proibições, pois era corriqueiro falar sobre tais coisas naquela época de tanta ingenuidade, mas que as irmãs insistiam em pecaminar. Conhecia as palavras e sabia o que era gota, o que era oceano, o que era tempo e que eternidade era uma palavra que aparecia muito no missal Goffiné[1], mas as metáforas não entendia!
Até hoje fico realmente intimidada em lembrar-me dessa situação e, principalmente, pela explicação que o jesuíta deu depois. Vou recordar mais um pouco.
No pátio interno do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, em Itu, naquela época, existia uma imponente mangueira (até hoje está lá!), plantada pela Irmã Angelina Achard em 1860, uma das primeiras irmãs vindas de Chambèry, na França, cerca de 56 anos antes, talvez para imortalizá-las, na eternidade, apesar da duração muito curta da existência arbórea.
Essa mangueira, majestosa, era uma árvore mágica para nós: o diâmetro de seu tronco principal era alcançado por não menos que doze garotas de mãos dadas e mais ou menos a uns quatro metros do solo, saiam onze troncos secundários e, destes, outros tantos...
Sempre brincávamos de abraçá-la, cercando-a. Seus galhos adentravam pelas salas de aula ou pelos janelões do Dormitório dos Santos Anjos, no lado oposto. Não raras vezes, as aulas de latim ou de francês eram acompanhadas pelos gorgeios dos passarinhos que se aninhavam em seus galhos. As meninas choravam muito quando era necessário podar alguns de seus galhos que não tinham vergonha de se adentrar os janelões e de se infiltrar em nossa intimidade, como se estivessem atentos, também, a nos vigiar.  Nós a tratávamos como gente!
Nunca conseguimos, apesar de sempre tentarmos, subir em seus galhos porque os olhos vigilantes das irmãs sempre nos coibiam e, com certeza, entendíamos o que elas queriam dizer através deles:
não é um ato de polidez e de bom tom meninas educadas subirem em árvores!.  
Pobres irmãs! Não poderiam nem imaginar o que esta proibição significaria mais tarde em nossas vidas de mulheres.
As folhas da mangueira eram incontáveis – a foto pode dar uma idéia -  e cobriam com sombra quase que o pátio inteiro que tinha cerca de 30 m de largura por 70 ou 80 m de comprimento; alcançava a altura da construção do colégio: o andar térreo, o pátio que ficava a uns 20 lances de escada abaixo do térreo, o primeiro andar e o sótão.
Eu a respeitava como soberana absoluta. Mais que à Notre Mère (como chamávamos a madre superiora) e quantas vezes conversava com a velha mangueira como se fora minha mãe, que estava tão longe, certa de que me propiciava a mais fina educação formal. O meu vínculo com a árvore era de respeito e admiração e, porque não dizer, de certo medo, como se de repente ela tivesse o poder de me controlar, pois seus galhos e folhas estavam por todos os lados e por todos os cantinhos dos corredores, por onde as meninas davam asas à imaginação juvenil. Era onipotente, onipresente e onisciente... Era, enfim, os olhos de Deus!
Pois bem, o senhor padre jesuíta, ao refletir sobre a eternidade, numa tentativa de concretizar um conceito tão abstrato e difícil e tão longe da minha experiência concreta,  utilizou a comparação:
— meninas, vocês conhecem bem a majestosa mangueira lá do pátio e sabem que é impossível contarmos todas as suas folhas. Tentem imaginar que a cada mil anos vocês arrancassem uma folhinha dela. Imaginem que essa operação jamais acabaria, porque, ao retirar uma folha, nasceriam outras mil. Pois bem, essa é uma idéia aproximada da eternidade!
Para mim era uma coisa incrível. Mesmo mil era abstrato, pois contava apenas os 270 dias do ano longe de casa, os 60 minutos na Igreja, ou os 30 minutos, apenas, de recreio... Mil?! só nos cálculos das aulas de matemática.
Na minha vida cotidiana o tempo era sempre referido ao tempo mensurável, cronológico, representado por objetos comuns ao meu relacionamento com o relógio, com os sinos, ou com o calendário. Mais precisamente, o sino da capela indicava o horário de levantar, ir à missa ou à reza; o sininho da madre diretora, pendurado ao lado de sua sala numa das pilastras que formavam a varanda que circundava o pátio, dava a dimensão do tempo das aulas, do almoço, dos recreios, das aulas de piano ou de pintura, do jantar e do dormir.
Mais longamente, tinha a dimensão da semana pela fita vermelha indicadora de bom comportamento e que tinha o direito de exibir, no locutório, aos domingos, quando recebia as visitas, geralmente dos familiares.
A dimensão do mês era dada pelas provas e pela menstruação, cujo sinal evidente tinha que esconder muito bem escondidinho nos “quartinhos” que ficavam sob a escada, onde havia cestos forrados por sacos brancos e onde depositava meus “paninhos” - versão antiga dos absorventes higiênicos –  toalhinhas felpudas, retangulares, com casas de botões nas pontas, que aboatoavam os botões fixos na cinta própria para usar “naqueles dias”.  Todos os paninhos tinham bordado o número 129, aliás como em todos os meus pertences, pois era minha identificação. Semelhante ao número dado aos presidiários, doentes mentais, leitos hospitalares, lugares que anulam a pessoa e lhe dão um número.Qualquer semelhança com uma instituição total é mera coincidência!
A dimensão do final do semestre era dada pelos exames e pelos “Deo Gratias” que ecoavam pelo colégio: duas palavras mais pronunciadas e escritas nos versos dos santinhos, ou nos nossos cadernos.
Mas eu, garota de um internato de freiras, até então nunca me havia dado conta dessa dimensão do tempo que, no dizer de Heidegger, não é “encontrado em parte alguma do relógio, nem no mostrador, nem no mecanismo, tampouco nos cronômetros da técnica moderna (...) e quanto mais exatos no efeito da medição, tanto menor a oportunidade que temos de meditar sobre o que é próprio do tempo.”
A configuração do tempo reduzido a uma noção fundamentalmente espacial estabelece o conceito de espaço de tempo, entendido como a distância entre dois pontos, e resulta do cálculo do tempo, linear, mensurável e unidimensional. Mas, independente e antes da efetuação de qualquer cálculo que vise mensurar o tempo, é no alcançar-se recíproco do futuro, passado e presente que repousa o elemento próprio do espaço-de-tempo do tempo autêntico.
Se o repetir é entendido como o trazer de volta, de novo, presentificar, não o “mesmo” como nos rituais obsessivos, mas o repetir diferencial, talvez seja essa a razão pela qual uma experiência passada se possibilita à abertura, à presentificação e, então, não é sem sentido que estou com o episódio do colégio revivido atualmente, de modo tão intenso. Aqui estou eu tentando buscar o elo, o elemento articulador, ocultado em algum lugar do passado.
Aquela mangueira, para mim, era uma obra de arte, perecível enquanto realidade e de um instante fugaz de duração, mas representava a eternidade, não da forma como o jesuíta nos falou naquela época, mas no sentido de que me embriagava dionisiacamente e me enlevava acima da fria apreciação racional, apolínea, isto é, acima do meu entendimento. Atraía-me e eu me deixava envolver e encantar por ela, vivenciando momentos de intensa e imensa paz e integração, nos quais não estava mais consciente de mim mesma, onde existia plenamente, unida a ela, integrada ao mundo, fazendo parte do universo de modo harmonioso.
Ora, só existe um momento onde isso é possível: o encontro primeiro com a mãe, nossa experiência primária de satisfação plena. A mangueira a representava tão vivamente para mim?
Essas associações remetem-me a essa problemática do tempo, principalmente porque este tem sido um tema abordado explicitamente em algumas discussões e por eu estar vivenciando um processo cheio de ambigüidades e de riscos, cuja imprevisibilidade me impede de ter segurança ao agir: a perda de um ente querido e a separação de meu filho.
Essa insegurança permanece mesmo que eu procure me apoiar no passado, agindo em termos do que já conheço ou mesmo revivendo episódios de minha infância e dessa forma um autêntico passado. Mas, embora o presente seja também abertura para o futuro, este é sempre imprevisível, sempre terá suas peculiaridades que vão além daquilo que conheço agora.
A perda e a separação desencadearam em mim a antiga experiência de separação de minha mãe, quando fui internada no colégio?
Mas naquela época eu deixei de ser insegura e angustiada, superando as situações concretas do meu existir, na relação com a velha mangueira. E agora? Somente estou encontrando e enfrentando o nada, o desconhecido, o  que aflige.
Terminarei minhas reflexões com uma citação de Binswanger (1973), que me parece muito sábia e que talvez possa inserir-se aqui adequadamente, bem como ajudar a superar essa vivência de angústia e alcançar o máximo de minhas possibilidades:
... ao amar, o existente transcende o espaço e o tempo -- o próximo e o distante;  o antes, o agora e o depois fundem-se momentaneamente, propiciando, por instantes, vivenciar a integração completa. (...) Na forma dual de existir, o ser humano vivencia a si próprio e ao outro como unidos, integrados, livres de desejos e de todas as particularidades. Ela constitui a verdadeira unidade, o nós originário, primordial, que é anterior ao sexo, à idade, à raça e a todas as particularidades. Nela o homem deixa, por instantes, de ser-no-mundo para ser-além-do-mundo, na eternidade.

Referências
BINSWANGER, LUDWIG. Articulos y conferencias escogidas. Madri. Gedos. 1973
FREUD,  SIGMUND. Recordar, Repetir e Elaborar (1914) In: Obras  Completas. Vol. XII. Rio de Janeiro. Imago: 1969.
GARCIA-ROZA, LUIZ ALFREDO. Acaso e Repetição em Psicanálise: uma introdução à teoria das pulsões. Rio de Janeiro. Jorge Zahar: 1980.
GRLIC, DANKO. Nietzsche e o Eterno Retorno do Mesmo ou o Retorno da Essência Artística na Arte. In: Colóquio de Cérigy. São Paulo. Brasiliense: 1980.
HEIDEGGER, MARTIN. O Fim da Filosofia ou a Questão do Pensamento. São Paulo. Duas Cidades: 1972.

        
                  



[1] Goffiné – Manual do Christão, traduzido da 14ª ed. Francesa, Rio de Janeiro: Casa Central dos Padres Lazaristas, 1951, 1140p.

domingo, 18 de setembro de 2011

APENAS PARA INICIAR

Hoje resolvi  iniciar este blog. Confesso que sou absolutamente desprovida de qualquer conhecimento dessa tecnologia e vou fazê-lo empiricamente. Por tal motivo já começo pedindo desculpas pelos possíveis deslizes que vou cometer. De qualquer forma alguma coisa vai ficar correta. Afinal de contas por que uma senhora, já considerada idosa segundo as inúmeras classificações disponíveis, não conseguiria publicar seus escritos num blog.
Então vamos lá!     Deixe-me fazer as apresentações iniciais.
Sou aposentada, separada, mas não divorciada, tenho três netos homens e uma menina, filhos e filha de meus filhos Rodrigo e Cecília. Sempre trabalhei na área da educação. Completei o terceiro grau em Psicologia, e conclui o mestrado em Psicologia. Cursei outros cursos universitários, em épocas anteriores, que não completei por inúmeras razões, as quais, com certeza, aparecerão em alguns de meus escritos ou poderão ser deduzidas a partir deles. Também fiz outro mestrado, inconcluso, assim como o doutorado, inconcluso.
 No início de minha vida profissional - e já se vão muitos anos! - trabalhei como secretária em duas empresas internacionais de grande porte e no final de minha vida profissional trabalhei em empresa pública nacional - um dos três poderes da vida republicana. No intermezzo, exerci atividade profissional liberal como psicóloga clínica atuando em consultório particular.
Sou leitora ávida e também gosto de escrevinhar. Entre minhas atividades preferidas, além destas,  estão também o cinema, a dança de salão, a música e o artesanato.
Moro sozinha, mas não sou só. Entendo que podemos estar sós, sem a companhia física de alguém e, mesmo assim, não nos sentirmos solitários.   Então, não sofro de solidão, pois  sou uma pessoa plena  de recordações e vivências, boas e más, alegres e tristes, profundas e supérfluas e são elas que me fizeram procurar nas quinquilharias guardadas, tudo aquilo que  trouxesse  de volta pessoas queridas, as que ainda estão entre os vivos, as que já se foram dessa vida e aquelas que passaram por mim deixando suas marcas e ensinamentos de qualquer espécie. Não importa.  Importa o que brindaram com suas presenças deixando em mim um rastro que permanece indelével, até hoje.
De muitas delas não tenho mais a presença física porque já partiram no trem da vida, mas as tenho na memória.  Outras, embora morando muito longe, foi  possível  localizá-las. Hoje temos ferramentas de rastreamento muito interessantes. De outras ainda tenho o prazer da convivência. Mas, de qualquer forma será através das minhas lembranças que poderei retomar alguns episódios em que muitas delas estiveram presentes.
A memória é uma coisa incrível. É capaz de transformar sapos em príncipes, anjos em demônios, o verdadeiro no falso, o falso no verdadeiro, o triste no alegre e o alegre no triste.  Mas, apesar disso, que seria de nós se não a tivéssemos? Dizem que é uma qualidade dos velhos e, positiva, porque mantém viva a chama da vida, porque ensina os jovens alguma coisa que já se passou ou que já deixou definitivamente a convivência social.  É um documento importantíssimo, mesmo que defeituoso.  Digo defeituoso porque a memória muitas vezes deforma aquilo que vivenciamos.  Mas que outro tipo de registro não deforma aquilo que se diz ou aquilo que aconteceu?  Por acaso, quando alguém escreve uma ata, faz um monumento, assina um tratado ou coisa parecida, também não está deformando o acontecimento, na medida em que está dando uma versão parcial do mesmo? Mesmo a máquina de fotografia. Ela reduz um fato a um ângulo desejado pelo fotógrafo e do qual teremos apenas o aspecto registrado. Acho que esse é um problema insolúvel e sobre ele já escrevi um bocado quando estava na Academia.  Ao longo desse percurso que pretendo fazer pela minha vida, terei oportunidade de colocar minhas considerações sobre essa maravilha que é a memória.  Por enquanto quero deixar registrado que me basearei nela e, é claro, quando tiver alguma outra forma de registro (fotografia, notas, desenhos, músicas, vídeos, depoimentos, publicações e etc.) também a utilizarei para deixar o acontecimento o mais verídico possível, pelo menos naquilo que foi registrado pela máquina e pela memória.
Dizem que o tempo da memória é o tempo de quem tem um compromisso com a verdade e se acha disposto a olhar para o passado, como escreveu Bobbio em seu livro  O Tempo da Memória – De Senectude e outros escritos autobiográficos, publicado pela Editora Campus, Rio de Janeiro,  em 1997.  O título De Senectude é uma referência ao livro clássico de Cícero, que também escreveu sobre a velhice depois dos 60 anos de idade.
Dizem também que a memória segue um caminho inverso ao do tempo real: quanto mais vivas as lembranças que vêm à tona de nossas recordações, mais remoto é o tempo em que os fatos ocorreram.  De qualquer forma, é bom ir desencavando tudo o que vem à tona, muitas vezes de forma involuntária. Sobre isso falarei no decorrer dos escritos.
Bem, esta introdução é para alertar a quem quer que venha a dedicar seu precioso tempo a ler essas histórias, que muitas lembranças estão soltas e que, muitas vezes perdi o fio que poderia ligá-las na tessitura de minha vida.  Com certeza alguns furos nesse tecido serão inevitáveis. Quando isso ocorrer, vou à busca de outras memórias, de quem vivenciou o fato comigo ou dele participou de alguma forma.  Acho que assim farei justiça a todos aqueles que estiveram presentes e compartilharam comigo momentos importantes de minha vida.
Li alhures que o um diário é um aborrecimento a quem o faz, mas que quando feito acaba por constituir-se uma grande alegria e dá para entender bem o porquê.  Eu sempre comecei a escrever um diário, mas nunca dei continuidade e não sei por qual razão já que sempre guardei muita coisa: papeizinhos, pétalas de flores (algumas com bilhetinhos), guardanapos, programas de teatro, entradas de cinema, pensamentos, ideias pensadas, projetos idealizados e não realizados, folhas escritas nas mais diversas ocasiões, algumas vezes – a maior parte – sem data ou qualquer referência, enfim, tanta coisa reunida aleatoriamente. Já fiz várias faxinas e joguei muita coisa fora, mesmo assim ainda tenho muita coisa. Mas confesso que não sofro de “TOC”[1].
Entre as coisas que gosto de fazer esqueci-me de dizer que fotografar também gosto, registrando quase todos os acontecimentos, mas sou péssima fotógrafa, apesar disso dá para se ter uma ideia do evento. Muitos deles não foram fotografados porque ainda não tinha máquina fotográfica ou a mesma estava quebrada. Hoje, com as câmeras digitais tudo é mais fácil, mesmo assim minhas fotos são bem ruinzinhas!  Tenho uma inveja do Claudio Edinger, do Sebastião Salgado, e de outros maravilhosos fotógrafos.
Declaro aqui que sempre quis organizar meus papéis.  Muitos deles até consegui colocar numa certa ordem cronológica. Por exemplo, os textos escritos para comunicações orais em congressos, estão quase todos catalogados e guardados em pastas, além de citados no meu Lattes.
Um dos meus projetos era compilar meus textos em forma de livro ou num “blog”, nosso diário virtual. Mas aquilo que não está escrito é mais difícil de organizar. Às vezes uma foto pode evocar muitas lembranças, mas não só as fotos têm esse poder.  A música, o perfume, a visão de uma árvore, de uma paisagem também o tem.  Não foi assim com as madeleines e com a lousa de Proust [2]?
Não creio que minha vida tenha algo de excepcional, nem que ela é diferente das demais.  Nunca fiz ato heroico, nunca fui reverenciada como superior, ao contrário, sempre tive uma vida bastante comum: momentos bons e ruins, alguns importantes para outras pessoas, mas, no mais das vezes, insignificante para a humanidade.  Um repeteco bastante comum das pessoas comuns da terra. Mas, como tenho herdeiros: meus três netos (Gabriel, Guilherme, Pedro) e minha neta (Maria Eduarda), creio que é preciso deixar para eles uma pequena mostra do que veio antes deles, o mais longínquo possível.  Por esse motivo pretendo começar pela genealogia.   Coisa difícil porque é necessário buscar informações que muitas vezes se perderam. Estou tentando fazer minha árvore num aplicativo chamado My Heritage, mas é bem difícil.
 Rapidamente quero dizer que pela linha materna até tenho algumas informações que recebi de um primo distante, o José Carlos Covizzi.  Este primo mandou-me recentemente uma pequena árvore genealógica que traz importantes revelações sobre a família pela linha materna, os Orlando e os Borghi.
  Pelo lado paterno já é mais difícil.  As memórias de minha família paterna, a tia Albertina e a tia Helena, já não estão mais vivas, mesmo assim vou procurar obtê-las para deixar registrado aqui neste pequeno espaço tudo o que sei ou que me contaram sobre a família Segabinazzi e Barnabé.
Digo desde já que todos vieram da Vecchia Itália, como imigrantes.  Aqui se casaram, tiveram seus filhos, alguns conheceram seus netos e bisnetos, mas todos deixaram um exemplo que merece ser dito aqui:  o amor pela famiglia,  pela terra e pelos princípios.  Vou dedicar-lhes uma parte deste texto, senão ele todo!
Este pequeno texto foi escrito num domingo, dia 15 de julho de 2007, às 18h 03min 45seg.





[1] Transtorno Obsessivo Compulsivo:

[2] Marcel Proust